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TEXTOS / "VAMOS CHAMAR O VENTO" - TEXTO DE ALAIN PIERRE


Tive o prazer de conhecer Fernando Rocha através de um amigo em comum, o baixista Dôdo Ferreira. Nessa época, Fernando tinha um sonho que acabou se tornando realidade: gravar um CD todo com músicas francesas. Além do seu respeitável repertório de MPB, Fernando tem também um vasto conhecimento de música francesa, fruto dos anos em que morou na França. “Um brasileiro à Paris” foi um projeto ousado em que tive a sorte de ser convidado para participar como diretor musical e arranjador. Foi um trabalho muito prazeroso que me proporcionou um reencontro com minhas raízes francesas e o início de uma grande amizade.
Desta vez, Fernando me procurou com a boa idéia de gravar um CD só com músicas de Dorival Caymmi. É claro que adorei o convite. Começamos, então, as gravações com um time de excelentes músicos. Tivemos a participação especialíssima de Danilo Caymmi que gentilmente nos emprestou seu talento vocal e sua suingada flauta em sol. Contamos ainda com Muri Costa, meu velho amigo da Barca do Sol, hoje no Arranco de Varsóvia, o violão preferido do Dorival Caymmi, como ele mesmo disse ao trabalhar com Muri durante os últimos anos de sua vida. Outras participações enriqueceram ainda mais esse trabalho, tais como o piano de Paulo Malaguti, também do Arranco, a voz de Silvia Machete, a voz e a percussão de Rafael Rocha e a banda Tono, e Felipe Rocha, do Brasov, na voz e no fluegel.
Ao mergulhar no universo de Caymmi, constatamos, de cara, como ele faz parte da nossa vida sem que a gente se dê realmente conta disso. Com frequência, me vinha a mesma frase em pensamento: Puxa! Isso também é do Caymmi? Mas é verdade, Dorival Caymmi é tão estrutural na música brasileira quanto Noel Rosa. Só que diferentemente do urbano Noel, seu cotidiano é a beira da praia.
Já que boa parte de suas canções falam do mar e da vida simples e dura dos pescadores, usamos muita percussão, rabeca, viola caipira, pífanos e sanfona para construir arranjos que trouxessem esse clima praieiro. Mas há também outros climas, mais distantes da areia, como “Sábado em Copacabana” e “Cala a boca, menino”.
Então chega de papo e vam’bora navegar pelas ondas sonoras de Caymmi, “vamos chamar o vento”.

Alain Pierre

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